Já há vários semestres que a implantação pateta da TV digital no Brasil se torna um assunto freqüente em sala de aula. Como sempre comentei, no caso da TV digital o Brasil tende a repetir a bosta da TV a cabo nos anos 90: inoperância de qualquer interesse de órgãos públicos em regulamentar de uma forma que incentive a implantação/difusão de um sistema viável, interessante comercialmente e principalmente, interessante para o público mais amplo (em termos financeiros e de conteúdo), e tudo isso somado ao completo desinteresse das emissoras majoritárias (principalmente as organizações Globo, claro), que afinal de contas se dão muito bem obrigado com o modelo atual e não tem nenhum interesse em mudar para um modelo mais democrático. O mais ridículo e ter visto a TV a cabo ser planejada por um ministro que foi ex-funcionário da Globo e praticamente deve à família Marinho a sua pertinência política.
Pior: quem poderia pressionar por inovações no sistema de TV brasileira seria o mercado publicitário. Afinal, não existe TV aberta sem publicidade, e um sistema com mais opções, mais concorrência (e talvez por isso menores custos) e com maiores possibilidades de interatividade com o consumidor seria do interesse dos anunciantes, das agências e dos consumidores. Claro, também daria mais trabalho, e isso dá uma preguiça… no final das contas, ficamos nós publicitários esperando pra ver o que vai dar… como no caso da TV a cabo, só pode dar em merda.
Para vocês terem uma perspectiva do nível da patetice, vou dar umas referências tiradas do blog gaúcho (produzido em parte por um amigo meu dos tempos de faculdade), o Nova Corja:
“Éramos felizes e não sabíamos”, diz diretor da globo sobre novas mídias.
Aproveitem a diversão (ou não).