Já que essa semana em Criação de Campanhas a gente falou um pouco sobre as campanhas e guerras comerciais no setor de informática, vale resgatar pela inspiração uma das campanhas mais interessantes dos últimosd anos, na minha opinião: a “Get a Mac”. Basicamente a Apple tratou de destacar as vantagens competitivas do Macintosh com uma idéia muito simples, mas que teve um resultado muito engraçado: colocou dois atores em cenas para representarem um PC (o sujeito “careta” de terno) e um Mac (o jovem dinâmico). Os diálogos são impagáveis, muito bem escritos (redação primorosa) e, principalmente, pertinentes para o produto, pois apontam uma a uma as falhas do PC e os benefícios do Mac.
Esse vídeo no Youtube é uma coletânea dos vários comerciais da campanha. Mais uma vez, demanda um inglês razoável para poder aproveitar.
Destaque para o comercial com a Gisele Bündchen, muito bom.
Já na disciplina de TTPP II essa semana comentamos um caso velho, o comercial da Pepsi que fazia uma comparação bizarra e engraçada entre o refrigerante e a concorrência. Foi um dos casos mais notórios no Brasil em que uma marca citou explicitamente a concorrência em seu comerical. E acreditem, na época isso espantou muita gente. Lembro muito que a gente se perguntava se isso era possível, se não era “contra a lei”. No Brasil isso é raro, principalmente porque o público aqui tende a ter pena do lado prejudicado em propagandas comparativas e a ver esse tipo de ação como agressiva ou “baixaria” (vide o discurso comum durante as campanhas eleitorais… todo mundo quer comparar, mas qualquer ataque já é repelido com a afirmação de que “o adversário está baixando o nível”).
A idéia foi muito boa. Não lembro se na época deu algum problema, mas minha memória enfraquecida pelas festas na faculdade me diz que a Coca entrou no CONAR pra tentar barrar e perdeu, mas o comercial acabou tirado do ar por usar animais ou representá-los tomando refrigerante ou dirigindo, ou algo assim. Não posso confirmar essas informações, dei uma procurada preguiçosa no Google e nao achei nada, então deixa pra lá lol.
Na aula de quarta comentamos o exemplo da banda Ok Go, que foi muito comentado na época como sucesso de viral, e que me chamou a atenção particularmente pelo senso de participação dos internautas (cada vez que eu digo essa palavra Deus mata um gato). O Youtube é cheio de paródias, os spoofs, em que uma pessoa qualquer de posse de uma câmera barata faz a sua versão trash de um videoclipe, um comercial, um programa de TV ou trecho de vídeo que caia no interesse público. É só ver o caso do Lasier Martins e o famoso vídeo das uvas, que despertou uma série de versões modificadas, melhoradas ou parodiadas.
O Ok Go foi uma banda que fez a fama através de um vídeo divulgado majoritariamente através do Youtube que se tornou bastante popularpor causa do boca-a-boca: eles produziram um novo clipe baseado em uma coreografia legal, mas simples e gravado no quintal de casa, e divulgaram.
Ao mesmo tempo iniciaram um concurso que incentivou as pessoas a reunirem os amigos, gravarem as suas versões e postarem no Youtube. O melhor vídeo, escolhido pela banda, ganharia o direito de acompanhá-los em uma turnê. O resultado foi que pipocaram paródias de todo tipo, e os próprios fãs da banda começaram a editar compilações do que foi chamado de “Ok Go Phenomenon”. Até hoje tem gente fazendo essa dancinha em festa de casamento nos Estados Unidos.
Eles mais ou menos seguiram adiante no uso do viral no vídeo da música Here it goes again, esse sim um hit, e que é baseado em uma idéia muito simples mas ao mesmo tempo muito legal… o uso infantil de esteiras rolantes. Acho que todo mundo que é doente mental quando vê uma esteira dessas pensa em ficar brincando de alguma forma, e os caras conseguiram OITO esteiras para brincar.
Um efeito do buzz que o vídeo despertou foi que muita gente começou a pegar esteiras emprestadas com os vizinhos e tentou imitar a banda em “festivais de talento” do colégio ou fazer sua própria versão do vídeo no Youtube.
Como comentei, exemplo já meio velho (de 2005-2006) e “não publicitário” (?), mas que como tinha gente que não conhecia, vale a pena resgatar. A banda não só “usou” os fãs (tipo “gravem um comercial da Doritos pra nós” ou “criem um slogan pro meu supermercado”), mas de certa forma estes “usaram” a banda pra se divertir (opa, não é isso que a gente geralmente faz com o que as bandas que a gente gosta?). Participação sincera, voluntária e consciente, o que falta para muitas ações de viral que estão sendo tratadas como case por aí.
Semana passada meu orientando de TC Paulo “bactéria” estava tentando me empurrar ao uso do Twitter, que segundo ele serve não só para o esquema “olhem para o meu umbigo” e permite também que as pessoas compartilhem informações pertinentes. Ok, concordo que é possível, mas sei lá, ainda resisto, até porque nunca tinha entendido muito bem como funcionava realmente. Preciso de um livro “Twitter for Dummies”.
Por isso foi duplamente legal ver no blog de uma amiga minha os vídeos do Common Craft, que fez uma série de vídeos sobre mídias sociais. Os vídeos, além de engraçados e bem pensados, explicam de maneira simples aquilo que para gente burra como eu é complicado entender. Mas o mais legal de todos é o que fala de social medias, que é algo que eu comento muito e que me motiva muito hoje no estudo do estado das coisas na publicidade e no marketing (e para além das modinhas de viral ou Second Lifes da vida). Essas “mídias sociais” extrapolam na área da promoção conceitos como o da cauda longa, e fazem isso de uma maneira massa e estimulante para o consumidor (e não para o publicitário, se vocês me entendem).
Mas precisa saber um pouco de inglês pra entender. Too bad if you can´t.
Eles também têm vídeos bem legais sobre o tal do Twitter, social networking e, obviamente o mais legal de todos, um pequeno tutorial para sobreviver a um zombie holocaust.