Lead us into temptation

Blog preguiçoso de apoio para as aulas e as viagens do prof. Fontanella

Dá um jóia! 5 Novembro, 2008

Arquivado em: Propaganda eleitoral, Uncategorized — Fernando Fontanella @ 7:26 pm
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Essa foi uma eleição em que a maioria dos políticos e o próprio TSE mostraram que ainda “num intenderam a tal da internéti”, enquanto o Obama faz a festa nos E.U.A. principalmente através de uma rede de apoio de cidadãos comuns conectados e, principalmente, doando dinheiro). A maioria das campanhas políticas de prefeitos, inclusive os das grandes cidades, fez um uso muito limitado da web para mobilizar eleitores, informar ou qualquer outra coisa, limitando-se a ter uma página com informações sobre a campanha (zzzzzzz…) ou enviando spam (cada vez que eu ia limpar minha caixa anti-spam do UOL eu via que o Raul Henry tinha me enviado muitos emails… devo ser importante).

Mas de Belo Horizonte saiu um caso interessante e que vale a pena prestar atencão para as próximas campanhas. Lá o Aécio Nevez se articulou com o PT (do prefeito de BH, que não lembro o nome agora, mas que é super bem avaliado) e o PSB para lançar um candidato único à prefeitura, o Márcio Lacerda. Vocês devem ter visto algo sobre isso na imprensa, pois chamou a atenção pelo fato de ser a única capital em que PT e PSDB se aliaram.

Bom, em Minas Aécio parecia que podia tudo, e como o Lacerda contava com essa grande aliança de partidos, pelo que eu li na imprensa nacional na época parecia que o cara ia ser eleito facilmente no primeiro turno. Pois para surpresa geral aconteceu um segundo turno, e a zebra se deu por Leonardo Quintão, um jovem candidato de PMDB que encantou o eleitorado usando uma campanha com tom fortemente emocional (inclusive chorando de emoção no horário eleitoral) e carregado sotaque “caipira” típico de minas, a ponto de ter tantos cacoetes que chega a ser engraçado:

Nesses vídeos dá pra perceber como ele carrega no sotaque (“Beozonti”), adota um tom muito pessoal e espontâneo. Claro que a eleição se definiu por um conjunto complexo de fatores, mas claramente a comunicação havia sido pensada para criar uma simpatia do público por um candidato que seria supostamente “gente como a gente” (um dos slogans de campanha era “gente cuidando de gente”).  Tanto é assim que ele passou a ser questionado sobre o assunto, como mostra esse vídeo de um debate:

Quando a equipe de campanha de Márcio Lacerda se deu conta, estavam enfrentando um segundo turno em que Quintão estava aparecendo na frente das pesquisas. E o mais grave é que o tempo para virar seria muito curto. Olhem para as pesquisas eleitorais das capitais onde houve segundo turno, e os índices de candidatos não mudaram muito entre a primeira e a última na grande maioria delas: isso acontece porque realmente o tempo é curto e muitos eleitores já estão decididos.

Mas não foi o caso de Belo Horizonte. Quintão despencou e acabou perdendo a eleição, e Lacerda ganhou. E agora o que nos interessa nesse post: a principal causa foi uma campanha agressiva e bem sucedida de “deconstrução” da imagem de Quintão que se utilizou de todas as armas, principalmente tentando mostrar que o candidato era um “fake”, inclusive no sotaque. Entre as ferramentas usadas, um vídeo viral impagável de Tom Cavalcanti imitando Quintão e seus cacoetes:

Vídeo não assinado pela campanha de Lacerda (para escapar do argumento de contra-fogo de que “estaria apelando para a baixaria”) e expondo as incongruências de Quintão de forma muito engraçada. Tom Cavalcanti, ao final do vídeo, ainda dá uma mensagem que conduz à conclusão de que Quintão seria “um bom ator”. O vídeo virou pauta da eleição através do boca a boca, e virou piada nas ruas imitar expressões do candidato como “dá um jóia”, “dá pra fazer” e “é gente (fazendo alguma coisa com ) gente”.

É notório que em campanhas eleitorais no Brasil, atacar frontalmente um candidato é muito arriscado, pois o eleitorado brasileiro (diferente do americano) tende a ver muito mal candidatos agressivos. Quem está atrás nas intenções de voto, e depende crucialmente desse ataque para crescer (sim, porque os votos tem que sair de algum lugar, e melhor que seja de quem está ganhando). Nas eleições de Belo Horizonte houve a demonstração de como um uso inteligente (e, claro, bem filha da puta) da internet pode atropelar um adversário antes que ele sequer perceba.

 

E a TV digital no Brasil… 26 Agosto, 2008

Arquivado em: novas tecnologias — Fernando Fontanella @ 3:54 am
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Já há vários semestres que a implantação pateta da TV digital no Brasil se torna um assunto freqüente em sala de aula. Como sempre comentei, no caso da TV digital o Brasil tende a repetir a bosta da TV a cabo nos anos 90: inoperância de qualquer interesse de órgãos públicos em regulamentar de uma forma que incentive a implantação/difusão de um sistema viável, interessante comercialmente e principalmente, interessante para o público mais amplo (em termos financeiros e de conteúdo), e tudo isso somado ao completo desinteresse das emissoras majoritárias (principalmente as organizações Globo, claro), que afinal de contas se dão muito bem obrigado com o modelo atual e não tem nenhum interesse em mudar para um modelo mais democrático. O mais ridículo e ter visto a TV a cabo ser planejada por um ministro que foi ex-funcionário da Globo e praticamente deve à família Marinho a sua pertinência política.

Pior: quem poderia pressionar por inovações no sistema de TV brasileira seria o mercado publicitário. Afinal, não existe TV aberta sem publicidade, e um sistema com mais opções, mais concorrência (e talvez por isso menores custos) e com maiores possibilidades de interatividade com o consumidor seria do interesse dos anunciantes, das agências e dos consumidores. Claro, também daria mais trabalho, e isso dá uma preguiça… no final das contas, ficamos nós publicitários esperando pra ver o que vai dar… como no caso da TV a cabo, só pode dar em merda.

Para vocês terem uma perspectiva do nível da patetice, vou dar umas referências tiradas do blog gaúcho (produzido em parte por um amigo meu dos tempos de faculdade), o Nova Corja:

Entrevista com Erlei Guimarães, diretor de conectividade da Positivo Informática, empresa que fabrica conversores.

O fracasso da TV digital brasileira II – entrevista com pesquisador que desenvolveu tese sobre a TV digital.

“Éramos felizes e não sabíamos”, diz diretor da globo sobre novas mídias.

Aproveitem a diversão (ou não).